Devemos reconhecer que todos os momentos de grandes adversidades nos deixaram mais resilientes e contribuíram para o progresso tecnológico e evolução nas relações humanas. A resposta mundial à Covid-19 levou à consolidação do trabalho à distância. Mudamos radicalmente do home office que podemos chamar de casual, para um home office integral, em larga escala. Um fenômeno que antecipou talvez cinco ou dez anos o futuro. Vivemos a era digital entre empregador e funcionário.

Convém alertar, entretanto, que as companhias que estão aproveitando as oportunidades pós-Covid estarão em boa posição para reter e atrair talentos quando a situação se estabilizar. Já aquelas que não se adaptarem, ficarão para trás, expondo seus funcionários a riscos como demissões e fechamentos.

A melhor forma de equipar as pessoas para lidar com um ambiente em constante mudança, às vezes de forma abrupta, é apoiar os funcionários no desenvolvimento de uma mentalidade de aprendizado. Ao que parece, a maioria dos líderes brasileiros está atenta a isto, segundo pesquisa da consultoria de gestão estratégica Oliver Wyman. Ela aponta que:

  • 66% das lideranças entendem que a competência dos funcionários forma uma cultura empresarial pronta para enfrentar crises;
  • 67% creem que a maneira de trabalhar nas companhias é estratégica para gerenciar momentos disruptivos.

Da mesma forma que a adoção ágil de tecnologias novas e avançadas significará maior necessidade de requalificação e qualificações adicionais, também é provável que leve à maior rapidez na criação de novas funções, inclusive com remanejamentos internos.

Nos lembremos de algo que aprendemos com a crise mundial de 2008, quando alguns países viram gerações inteiras enfrentarem o futuro com menos oportunidades. Assim, o futuro econômico e o impacto da Covid-19 também afetam diretamente a sustentabilidade e responsabilidade, principalmente quando se trata de empregos para os jovens.

O fenômeno foi detectado pelo Relatório do Panorama dos Riscos da Covid-19. Publicado pelo Fórum Econômico Mundial, em colaboração com a Zurich e a consultoria de riscos Marsh, o estudo constatou que 49% dos especialistas seniores em risco acreditam que altos níveis de desemprego estrutural, especialmente entre os jovens, são a consequência mais provável da pandemia.

Em um ambiente de medo, incertezas e de uma rotina nova, a liderança é a base de tudo. A boa notícia é que líderes de todo o planeta vêm mudando suas estratégias para acompanhar o momento atual, em que é preciso que a cultura corporativa e as habilidades de liderança se concentrem na empatia e bem-estar dos funcionários, à medida que transformações e interrupções se tornam o novo normal.

Neste novo normal, há menos controle e mais confiança, com as pessoas aprendendo a trabalhar de forma diferente e com menos supervisão. Ao mesmo tempo, encontramos maneiras virtuais de desempenhar nossas funções, inclusive com reuniões virtuais nunca usadas antes sem tal extensão. E apesar do distanciamento social, estamos nos aproximando, formando equipes mais adaptáveis, que trabalham em conjunto remotamente, com comunicação mais consistente, o que se tornou um momento de conexão.

Estamos conectados com um propósito, com muitas companhias reequilibrando suas prioridades, para que a resiliência (ambiental, social ou de governança) se torne tão importante para seu pensamento estratégico quanto custo e eficiência.

Nossa capacidade de reconhecer e equipar de forma proativa nossas equipes, não apenas com recursos físicos, mas também com habilidades, mentalidades, comportamentos e valores, será fundamental para garantir uma melhor recuperação.

A pandemia está sendo um catalisador para reinventar o futuro do trabalho e gerar oportunidades.

FONTE: https://www.mundorh.com.br/o-futuro-do-gerenciamento-da-forca-de-trabalho-alem-da-covid-19/