Levantamento ouviu mais de 70 empresas de diversos setores como alimentação, farma, moda e eletromóveis

O avanço de tecnologias como big data, IoT e blockchain vêm transformando o cenário das empresas e seus investimentos. O varejo, por sua vez, não está isento desse movimento. Para acompanhar as mudanças, a GS&UP, empresa do Grupo GS& Gouvêa de Souza, desenvolveu um estudo que pretende analisar as principais dores e prioridades do varejo brasileiro quando o assunto é tecnologia.

Para desenvolver o levantamento, foram realizadas entrevistas com profissionais de tecnologia e inovação de mais de 70 varejistas que atuam em setores diversos como alimentação, farma, moda e eletromóveis. As análises que resultaram no material foram realizadas entre os meses de setembro e novembro de 2019.

Tecnologias em uso
A primeira parte do estudo se dedicou a selecionar as tecnologias mais presentes no varejo. Entre elas, se destacaram ERP, CRM, e-commerce, WMS (Warehouse Management System), Solução de Business Intelligence (BI) e o software de frente de loja.

Nesse universo, alguns números chamaram atenção dos analistas da empresa. Cerca de 35% dos entrevistados ainda não possuem um canal de vendas online. Quando o assunto é experiência do cliente, embora apenas 20% dos varejistas não tenham algum sistema de inteligência de dados, 41,43% não possuem soluções de CRM.

Tecnologias do futuro
Já a segunda etapa do levantamento analisou as novas tecnologias de mercado, as soluções pelas quais os varejistas têm se interessado e pretendem investir nos próximos anos. Nesse cenário, o estudo apontou os temas considerados ainda distantes da realidade e necessidade brasileiras. O ranking foi puxado pelos drones, com 70%, blockchain e rastreabilidade, na casa dos 60%, e as soluções baseadas em 5G, com 59%.

Caio Camargo, sócio-diretor da GS&UP, acredita que a falta de cases nacionais palpáveis para essas soluções impulsionam a descrença do mercado. “Vemos uma série de possibilidades, mas ainda não existem resultados reais”, afirma o executivo.

O estudo também levantou quais seriam as tecnologias mais essenciais para o setor. As soluções de big data & analytics lideram com 67%, seguidas pelos meios de pagamento, com 56%, e as soluções de logística, indicadas por 49% dos respondentes.

O cenário se repete quando os entrevistados foram questionados sobre em quais tecnologias eles pretendem investir nos próximos três anos. Big data & analytics é a opção de 74% dos usuários, meios de pagamento foi assinalado por 57% e as soluções de logística ficaram com 56%.

Taxa de aplicabilidade

Apesar das taxas de importância e de probabilidade de investimentos indicarem as mesmas tecnologias, os desenvolvedores do estudo perceberam que os dois fatores podem ocorrer com intensidades diferentes. Isso acontece porque nem todas as tecnologias consideradas relevantes para o varejo, de fato, são aplicadas.

Para os casos em que as porcentagens de investimento são maiores que o interesse do setor, foi criada uma taxa de aplicabilidade que ilustra as chances de a solução ser desenvolvida pelas empresas. Com essa premissa, a logística lidera entre as soluções que devem prosperar, seguida pela big data & analytics e a automatização de lojas.

Essa metodologia também deu origem a uma matriz de estudos, denominada Matriz dos Quatros Elementos, que ajuda a entender a maturidade de cada uma das tecnologias no setor e se os seus investimentos estão acima, abaixo ou estáveis ao índice de interesse. O objetivo do levantamento é conseguir apontar no futuro como as tecnologias estudadas estão avançando ao longo dos anos.

O avanço de soluções como logística, meios de pagamento e automatização em detrimento de tecnologias como drones, blockchain e 5G revelam um mercado que ainda busca estabilidade na hora de investir em tecnologia. Caio aponta que os varejistas ainda estão resistentes ao cenário de mudanças, o que pode deixar o setor distante do universo digital. “Nós saímos de um momento da economia em que a maior parte do varejo estava tentando retomar seu patamar e, agora, que está em solo firme, está mais reticente para investir”, afirma o executivo.