Qual é o papel do líder de recursos humanos? Quais habilidades são essenciais para lidar com a complexidade desse cargo? E como quem trabalha na área deve se preparar para o que está por vir?

“As pessoas costumam entender as habilidades políticas como politicagem, mas elas são sua influência interpessoal, algo que exige um equilíbrio difícil de alcançar: ser flexível sem perder a integridade”, disse o Joel Dutra, professor livre-docente na Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo e vice-coordenador do MBA em recursos humanos da FIA. Sua missão, na aula inaugural, foi explicar por que é tão importante que os líderes atuem na arena política corporativa.

A necessidade de circular nesse espaço em que a habilidade de influenciar é essencial aumenta de acordo com o nível de complexidade da atuação dos profissionais.

Embora o líder de pessoas não possa obrigar ninguém a desenvolver-se, ele tem algumas ferramentas para estimular esse desejo. Uma das mais importantes é o autoconhecimento, conceito que deve ser usado tanto para instigar a força de trabalho quanto para ajudar a si mesmo a evoluir.

Encontrar o que realmente nos move é algo complexo e, durante alguns minutos, os alunos se reuniram em duplas para contar, um ao outro, quais seriam seus valores e por quê.

Luiz Carlos Cabrera, sócio-fundador da Panelli Motta Cabrera, diz “Seu propósito pode ser definido com a pergunta: o que acontece com o mundo se você não existir mais? E seus valores têm a ver com a maneira como você lida com a vida e faz seus julgamentos. Mas eles precisam ser baseados em história. Se não há história, não há valor”, explicou.

Os valores são sentidos no dia a dia e como isso é fundamental para que os funcionários se conectem com algo maior. “Para cada empresa, o propósito tem um impacto diferente. Você tem de alinhar seu propósito individual ao da companhia”.

E o futuro?

O RH tem a missão de ajudar os trabalhadores a se prepararem para o que está por vir — pensando tanto no desenvolvimento de novas habilidades quanto em novos jeitos de trabalhar.

Para mostrar como as empresas estão se preparando para o amanhã, a turma da Academia VOCÊ RH fez uma imersão na EDP, companhia portuguesa de energia, na qual pessoas e máquinas já trabalham lado a lado.

Os alunos foram recepcionados por Órion, um robozinho falante que introduziu os palestrantes do dia. Uma equipe mostrou como funciona a inteligência artificial na prática — num telão, foi possível ver os softwares que resolvem questões de atendimento ao cliente.

Na EDP há 157 robôs, dois deles com tecnologia de inteligência artificial. Em seguida, a diretora de recursos humanos, Fernanda Pires, e o diretor de TI, Marcos Penna, mostraram como a integração das áreas de gestão de pessoas e transformação foi importante para ter mais agilidade, colaboração e eficiência. “Precisamos mudar a forma como trabalhamos e pensamos”, disse Fernanda.

Em sua fala, ficou claro que o envelhecimento da população brasileira acarretará grandes desafios para o governo e para as empresas. “Somos o terceiro país com a mais rápida taxa de envelhecimento, perdemos de Singapura e Colômbia.

Na França, eles tiveram 100 anos para se preparar. No Brasil, teremos apenas 20”, disse Reinaldo. “Do ponto de vista dos negócios, há muito para ser feito por causa dos idosos. No mercado de trabalho, idade e experiência são coisas que andam juntas”, completou. Por isso, nada melhor do que estar preparado.

FONTE: https://exame.abril.com.br/carreira/estas-sao-as-licoes-para-os-profissionais-de-rh-do-amanha/